Entrevista com Cristiana Rebelo sobre o processo da Constelação Familiar
Atualizado: 4 de set.
Na Constelação Familiar, a cura da criança interior acontece quando o adulto reconhece, acolhe e integra as experiências emocionais vividas na infância que ainda influenciam comportamentos, relações e emoções no presente.
Esse processo é simbólico, terapêutico, e se fundamenta em alguns pilares, como: reconhecimento da dor, honrar pai e mãe como eles são, devolver o que não pertence à criança, e integração da criança interior ao adulto.
Para falar sobre o assunto, conversamos com Cristiana Rebelo, advogada e terapeuta.

Cristiana, você se formou em Direito, tinha esse desejo de ser advogada, tem uma trajetória profissional e durante as suas buscas e seus processos terapêuticos chegou à Constelação?
Sim. Eu conheci a Constelação Familiar em 2011, por causa de um assunto particular. E vi, na Constelação Familiar, que a minha vida teve mais propósito; mais sentido. Então, eu comecei a estudar, a participar de workshops. Viajei, conheci o Bert Hellinger, e percebi que essa dinâmica da Constelação Familiar traz mais leveza para a vida.
Em qual sentido a Constelação pode trazer mais leveza? Ao trabalhar a nossa ancestralidade, ao trazer um trauma à tona para ser trabalhado em terapia? Qual seria esse sentido?
O sentido é que a gente honra nossos ancestrais. Olha para trás e aceita a vida deles como foi; aceita o nosso destino como ele é. Compreende todas as fases da nossa vida, a nossa criança interior, e acolhe a nossa criança para ela viver com mais leveza, ser mais feliz na vida. Esse é o sentido.
Você pode dar um exemplo de como seria esse acolhimento da criança interior? Porque a minha criança interior seria aquela parte de mim que brilha, que sonha e que fica sufocada? Talvez por traumas, por medos.
A criança interior é a parte de nós que a gente não consegue expressar as nossas necessidades. Então, a gente tem que acolher aquela criança que está ferida, para ela dar lugar ao nosso adulto. E no campo da Constelação, o que acontece? A gente acolhe a criança interior e fala com ela que quem vai acolher é o adulto que está presente nela.
A gente pode dar um exemplo? Sem citar nomes, sem falar de ninguém, mas um exemplo de como pode ser trabalhado, só para as pessoas entenderem?
A gente coloca a pessoa no campo e olha a criança dela. E a pessoa adulta, fala com ela: agora você não precisa de mais ninguém, você tem a mim para seguir a vida e ser acolhida. Então, é mostrar para a criança interior que ela não precisa do mundo externo. Ela já tem o adulto pertencendo a ela.
E no campo das terapias existem muitos questionamentos com a Constelação. Eu sei da seriedade do trabalho, como está dentro da PICS, é considerada uma terapia complementar. Eu queria que você explicasse isso, que ela não concorre com outras terapias, ela complementa.
Exatamente, a Constelação Familiar complementa todas as terapias. Enquanto as outras terapias trabalham com energia, com a pessoa, a Constelação Familiar vai trazer o estudo sobre os vínculos familiares, transgeracionais. Você trabalha o que está preso, o que não foi reconhecido; aquela pessoa que não foi reconhecida no seu sistema familiar, a excluída ou lealdades invisíveis. Você pode estar carregando dores que não são suas, mas do membro da família. Então, a Constelação Familiar amplia também o olhar de outras terapias.
Então, a pessoa pode fazer o tratamento dela com psiquiatra, com psicólogo, com Reiki, com uma massagem e fazer a Constelação Familiar.
Exatamente. E traz mais leveza no processo, mais interação, mais consciência no trabalho, por exemplo. Às vezes a gente está precisando, às vezes a gente está bloqueado alguma coisa na nossa vida que não consegue entender. Por exemplo, o relacionamento que não dá certo ou um dinheiro que está parado, ou dores que a gente não entende. Porque a gente está com aquelas dores, tanto emocionais como físicas. Então, a Constelação, ela dá esse olhar mais profundo na vida da pessoa, faz com que as pessoas olhem para essas dores com mais significado. A Constelação Familiar desbloqueia essas dores, a dor que está no seu inconsciente ou você não tem noção do que está acontecendo com você.
O ideal é que as pessoas tenham essa consciência de que estamos falando de terapias complementares, e que ninguém briga com ninguém, ninguém ocupa o espaço de ninguém. Somos todos unidos em prol da melhoria da vida da pessoa, do bem-estar, da alegria. De uma vida leve e feliz. Seria isso?
Exatamente.
Mais informações sobre o trabalho de Cristiana Rebelo pelo WhatsApp (31) 99296-5776



